Olá, jovens! É sabido por todos os intelectos privilegiados que, desde os tempos áureos da história ocidental, filósofos e pensadores se questionam acerca da unidade, da alquimia do saber, a receita da perfeição estética.
No Renascimento, essas questões se tornaram tão memoráveis em conteúdo que resolvi abrir aqui um espaço de sabores, aromas e cores do Velho Mundo.
Assim nasce a Culinária com Burckhardt. Esse humilde pensador que vos fala, neste momento, do alto da alhambra de Granada.
Hoje vamos fazer um texto erudito com base na Florença do século XVII.
Para isso, comecemos por separar os ingredientes: o ritual refinado*; aroma natural renascentista; 1 artista florentino; 5 minutos de reflexão em Basiléia; senso crítico açucarado; exaltação à cultura italiana; algumas batatas; azeite mediterrâneo; a Flandres Flambada; colóquios sobre arte erudita no Renascimento italiano do século XVII.
É necessário, antes de iniciar o processo, fazer o que eu chamo de ‘ritual refinado’. Este consiste em: Levantar com uma idéia fixa na calmaria da manhã – para que se possa aproveitar a suavidade de seu orvalho, escutar o farfalhar das árvores e o canto suave das aves matutinas – degustando um saboroso chá de ervas selecionadas acompanhado de uma cigarrilha baiana. Só depois de cumprida essa etapa estará o aprendiz apto para dar início à produção.
Modo de preparo:
Pegue um artista das altas rodas culturais florentinas e o coloque em condições ideais para a produção intelectual. Para tanto, leve-o a uma praça da Basiléia, onde os ingredientes de reflexão, senso crítico açucarado e exaltação à cultura italiana serão misturados.
Cumprida esta etapa, colha as batatas em um campo verdejante e jogue na panela (de preferência, veneziana). O azeite mediterrâneo é acrescentado nesse momento, dando ares clássicos ao banquete.
Doravante, flambe à moda de Flandres, fazendo a miscelânea ideal para a produção literária erudita.
Para terminar, é só passar horas em colóquios sobre arte erudita no renascimento italiano do século XVII.
Dica: para ‘apimentar’ essa receita, faça uma retórica anti-classicista salpicada de termos latinos. Estrambótico!

Provei e aprovei! Funciona realmente!
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